domingo, 14 de agosto de 2011

Romance nas Sombras Capítulo 6 - Declaração de Guerra!

Autoria: Thalita Lima
Co-autoria: Alisson Alves

_________________________________________________________________________________


Passei o resto daquele dia trancada no meu quarto. Eu tinha que pensar no que fazer, em como eu iria viver com outro homem apenas por conveniência familiar. Recusei-me a almoçar ou jantar, eu estava inacessível para tudo e para todos. Nada me faria chorar, pois eu não estava triste, estava com raiva de tudo. Por que eu não podia ter quem eu amava? Qual era o problema?

Por outro lado, eu estava tranqüila, sabia que esse era o único modo de continuar o legado de nossa família e eu tinha que mostrar ao meu irmão que eu era uma mulher capaz de todas as coisas pelo bem de nosso clã. Fiquei pensando por horas até que adormeci...

Giovanny estava sentado na cadeira do Don, enquanto brincava com uma Glock 18 cromada, conhecida como uma das mais poderosas pistolas. Ele tinha um sorriso maldoso nos lábios e um olhar mais maldoso ainda...

- Consegui. Esse trono agora é todo meu, sou o patrono da família Santtory e você, o que será? – e gargalhou maldosamente.

Acordei do sonho, meio assustada. Nós da máfia não acreditamos nessas besteiras de sonhos premonitórios, mas aprendemos a dar valor ás nossas intuições. Por algum motivo, aquele sonho não saiu mais da minha cabeça pelo resto da semana de preparação para o jantar de noivado.

Durante essa semana, quase não vi Domminik, ele parecia mais afastado de mim desde aquele dia na estufa e Valquíria também me ignorava. As únicas pessoas que me dirigiam a palavra naquela casa eram Julliete, o mordomo e, claro, Giovanny, meu futuro esposo.

Não posso descrevê-lo como uma pessoa desagradável, mas de certo modo a presença dele muito próxima a mim me deixava incomodava. Desde aquele sonho maldito, eu não conseguia mais olhá-lo naturalmente. Ele tentava de todos os modos fazer com que eu sorrisse, mas depois acabou desistindo ao se dar conta da minha personalidade arredia e frívola com as pessoas.

Em um desses dias tediosos, resolvi ir á estufa para ver as rosas vermelhas e, quem sabe, sentir o cheiro de uma rosa-azul. Fiquei lá por alguns minutos, pensando em tudo o que minha vida tinha se tornado desde a morte do meu pai. Fui carregada por esses pensamentos até me dar conta de que eu estava acompanhada.

- Valquíria, você por aqui?

- Eu é que pergunto isso. Ultimamente você não tem saído muito do seu quarto. Já eu, venho aqui todos os dias.

- entendo. Tenho que ir – Eu realmente não gostava de ficar no mesmo ambiente que Valquíria, ela era tão doce que me enjoava. Mas, naquele momento, ela parecia diferente.

- Não, espere. Quero mesmo falar com você

- E sobre o que seria?

- Domminik.

- O que tem ele? – Aquilo muito me irritou, eu nem via mais Domminik, sobre o que será a estava incomodando? Resolvi ouvi-la.

- Ele está sendo um pouco frio demais comigo, você sabe algo sobre isso?

- tsc! E por que logo eu saberia de algo? O noivo é seu. Até mais ver.

- Tudo bem, então. Mas você disse algo correto: “o noivo é meu”. Cuidado para não confundir os irmãos.

Não respondi nada, apenas sai da estufa como se nada tivesse acontecido. De fato, nada aconteceu aquela semana, mas Valquíria dizendo aquilo me pareceu mais determinada a lutar por Domminik, embora soubesse do meu noivado que aconteceria dali a alguns dias. Alguma coisa estava errada nisso tudo. “O noivo é meu” por que ela disse isso? Pensei em na hipótese mais plausível: Uma declaração de guerra.

Fui até o quarto de Julliete, bati na porta e obtive a seguinte resposta:

- Seja lá quem for, entre!

- Julliete, desculpe-me por incomodá-la, mas há algo que eu gostaria de pedir a você.

- Seja lá o que for, atenderei, pode pedir.

- Que bom. Lembro que nessa casa a gente tinha uma sala de treinamento, ela ainda funciona?

- Ela está fechada, mas está intacta. Mas, por que você quer treinar?

- Estou entediada. Pode me dar a chave?

- É claro

Julliete foi até a sua penteadeira e abriu um compartimento atrás do espelho, de onde tirou uma chave prateada. Ao me dar ela disse:

- Tome, vá treinar. Seja lá qual for a sua razão para isso.

- Agradecida. Já vou.

A sala de treinamento ficava no porão da casa, quando desci as escadas, tudo parecia muito limpo, apesar de Julliete ter dito que estava fechada há algum tempo. Todos os equipamentos de tiro e luta corporal estavam intactos e prontos para serem usados.

Aqueci meu corpo e fui até á estocagem de armas de fogo e logo localizei uma Glock igual á que Giovanny brincava no meu sonho. Fui aos alvos e comecei a atirar. Cada tiro que eu acertava no meio do alvo me dava sensação de estar matando parte da minha raiva. Durante aqueles trinta minutos que continuei atirando sem parar, eu me sentia mais leve, meu instinto assassino estava afiado. Quando dei por mim, já estava toda suada. Resolvi então ir para meu quarto descansar e preparar-me para a guerra velada que estava por vir. Guerras com armas de fogo são ruins, mas, guerras sem o uso da força bruta eram piores ainda. Eu só comecei a treinar com armas de fogo porque uma coisa que aprendemos durante nosso treinamento é: Jamais subestime seu inimigo. E eu não seria idiota de Subestimar Valquíria.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Romance nas Sombras - Capítulo 5 - Surpresa: Você vai se casar!



Autoria: Thalita Lima
Co-autoria: Alisson Alves

Desde aquele dia, Valquíria mudou seu comportamento comigo, não me procurou mais, passou a sorrir menos e falar apenas o essencial, imaginei o porquê dessa mudança repentina, já que eu não havia feito nenhum mal a ela, pelo menos a meu ver. Eu me perguntava se ela sentia ciúmes, mas, não havia motivos, Domminik continuou seu noivado normalmente e não havia nada entre eu e ele.

Pelo menos, não até aquele fatídico dia...

Ainda era cedo quando Juliette interrompe meu sono:

- Carlotta, desculpe-me por acordá-la tão cedo, mas o Don quer falar com você agora. – A voz dela parecia bem tensa, Juliette geralmente se mostrava uma pessoa calma e quase tão fria quanto eu. Qual então seria o motivo de tanto nervosismo?
-
 Ah, tudo bem, se me der alguns minutos, eu logo me arrumo, mas, o que houve?

- Você logo saberá.

Poucos minutos depois, eu já estava no escritório. Era um lugar muito bonito e chique, com maçanetas banhadas em ouro, Nas prateleiras havia várias esculturas de bronze a mesa feita de uma madeira que parecia cara e durável, nas paredes havia fotos de todos os patriarcas antecessores, o que dava um ar de familiarismo naquele ambiente.

Meu tio estava sentado em sua confortável cadeira enquanto fumava um charuto cubano. Sua expressão era séria e pesada quando ele começou a falar. Ouvi sobre nossa família, nosso orgulho, nossa honra, até que a conversa chegou a um ponto que eu não apreciava: a submissão das mulheres.

- Você sabe que nossa família é uma as mais tradicionais da máfia, não sabe? E você, Rose, é uma das mulheres mais importantes para o nosso clã e como mulher da máfia, você deve ser submissa, mas suas atitudes tem se mostrado impróprias para uma dama de classe como você!

A voz dele não era alterada, mas por alguma razão, tudo o que ele dizia era carregado de autoritarismo. Eu realmente não estava entendendo aonde ele queria chegar com toda aquela conversa. E continuou:

- Rose, você já tem 25 anos, já era para estar casada há anos! Acho que já está na hora de resolvermos esse problema e só um marido de pulso forte pode ajudá-la a ser uma boa esposa.

Nesse momento, eu não soube o que fazer, como poderia casar com um desconhecido, se já havia um homem ao qual devotei completamente meu amor? Tentei manter a calma, apenas abaixei minha cabeça e disse:

- Suas ordens são absolutas, Don. Farei tudo o que for bom para nosso clã – Por dentro eu estava gritando, queria dizer que não casaria com ninguém, mas eu simplesmente não podia fazer uma loucura dessas.

Tio Francis sorriu satisfeito e disse:

- Fique tranqüila, Rose. Eu já escolhi seu noivo e é membro de nossa família. Você ficará muito feliz quando souber de quem se trata. Eu não podia escolher qualquer um para minha sobrinha querida.

 Nessa hora senti uma pequena esperança, mas logo voltei à realidade, lembrando que meu amado já possuía uma noiva, logo não poderia ser ele.
Alguém bate à porta, recebe a permissão do soberano para entrar:

– Entre meu filho!

 Eis que entra meu futuro noivo, o filho caçula de meu tio, Giovanny, conhecido no nosso meio como aSombra. Tratava-se de alguém sorrateiro que recebera o mesmo treinamento que eu e Domminik, recebera esse codinome por executar suas missões com maestria, silenciosamente, sem que o inimigo sequer notasse sua presença, não era tão bonito quanto seu irmão, mas certamente era um bom homem e sempre deixou claros seus sentimentos por mim, mas eu sempre o amei como um irmão. Giovanny era mais novo que eu, no entanto, isso não era relevante para nossa família. Ele entrou no escritório e veio em minha direção, parecia feliz, pegou em minhas mãos e perguntou:

- Você está feliz com nosso noivado, querida?

Eu queria mesmo era sair dali e descobrir que eu estava sonhando, mas, era impossível, eu tinha que fazer a vontade do Don. Então, me limitei a responder sem nenhuma expressão:

- Não posso contrariar a vontade de Don, então me casarei com você.
Senti que Giovanny não gostou muito da minha resposta frívola e por alguns segundos todos ficamos em silêncio. Até tio Francis interrompê-lo:

- Pois bem, daqui há uma semana faremos um grande jantar aqui na nossa casa para todos os membros do nosso clã e convidados de outras famílias também. Será um jantar de noivado duplo, Domminik também ainda não teve a chance de mostrar ás outras famílias a sua noiva. Pode ir agora, querida.

Me retirei do escritório, ainda pude ouvi-lo perguntar ao pai porque eu não parecia bem, este respondeu que só podia ser impressão do filho, que eu apenas não sabia expressar minha alegria,  afinal esse era meu jeito, sem muitas expressões e concluiu a conversa dizendo que nenhuma mulher poderia se sentir infeliz fazendo tão bom casamento.

Romance nas Sombras - Capítulo 4 - Será que...?


Autoria: Thalita Lima
Co-autoria: Alisson Alves

_____________________________________________________________

Ao descer para tomar café da manhã, eis que tenho uma surpresa, dou de cara com ele no corredor, ele me deu um abraço e sorriu ao dizer bom dia, mas notei que parecia um pouco tímido, estranhei sua atitude, mas não havia melhor jeito de começar o dia, nessa hora acabei lembrando o sonho da noite anterior, no entanto, ele já havia ido embora.


Teria sido mesmo um ilusão?




Que pergunta boba, claro que sim. Afinal, que chances eu possuía com ele, eu era apenas sua prima e amiga de infância. Soube que dessa vez ele ficaria pelo menos uma semana em casa, mas não fui a única a ficar feliz com essa notícia, vi quando Valquíria foi cumprimentá-lo, no entanto, e como eu já havia notado antes, ele deu-lhe um beijo em sua testa apenas.


Após o jantar, ele nos chamou à sala e anunciou que gostaria de nos dar alguns presentes que trouxera da viagem, o pai recebeu um isqueiro com as iniciais bordadas em ouro (FS, Francis Santtory), para mãe um lindo punhal de prata (Juliette era uma colecionadora de armas), para Valquíria, um colar de pérolas e finalmente para mim, um lindo anel de safira, esta era minha pedra predileta, será que ele ainda lembrava disso?


Pensei em algo do passado, de quando éramos crianças, onde Domminik prometeu que casaria comigo e me daria um anel de safira em nosso noivado, nesse momento esbocei um breve sorriso. Ele percebeu que eu estava feliz com o presente e comentou que eu deveria sorrir mais, pois ficava mais bela ao sorrir, nesse momento percebi que Valquíria ficou séria, agradeceu o presente e pediu permissão para se retirar, alegando que estava com uma pequena dor de cabeça, ao subir as escadas, pude perceber lágrimas em seus olhos.


Após o ocorrido, todos se recolheram aos seus aposentos e fiquei a pensar em meu quarto, que dia incomum fora aquele. Apesar de tentar dormir, não conseguia, ficava olhando para o anel e lembrando-me dele. Resolvi então dar uma caminhada pela casa pra ver se o sono chegava, fui até a estufa, pensei que sentindo o cheiro de flores talvez ficasse mais calma e conseguisse descansar.


Ao chegar lá fiquei encantada com a beleza e perfume das rosas, imagino se as flores despertam a feminilidade nas mulheres, parei para observar as vermelhas, elas me lembravam o sangue, memórias distantes vieram em minha mente. Em meio a todos aqueles odores agradáveis senti um peculiar e vi uma rosa azul aparecer em minha frente, reconheceria aquele perfume em qualquer lugar, foi então que senti Domminik me abraçar por trás, ele sussurrou meu nome em meu ouvido, fiquei estática, não podia acreditar que aquilo estava acontecendo, de repente se afastou e sorriu.


- Faz muito tempo que não ficamos sozinhos.


- é verdade


- Sabe, essa pode ser uma ótima oportunidade  para relembrarmos os velhos tempos. E então, o que fez sem mim durante esses cinco anos?


Meu coração que neste momento estava quase a ponto de explodir, se acalmou com sua declaração e me fez pensar que isso é normal para melhores amigos.
- Treinei bastante e cumpri algumas missões difíceis, mas não era mais tão divertido sem você.


- Digo o mesmo. Lembra daquela vez que tivemos que seqüestrar aquele senador? A cara dele era hilária, mas não podíamos rir na frente dele. Na verdade, você não riu nem depois, aliás, você jamais sorria...


- Lembro sim, como eu poderia esquecer disso? Mas você está certo quanto a meu sorriso, poucas pessoas podem vê-lo. Você sabe, eu sempre fui assim.


Sentamos em um banco e entramos pela madrugada a conversar, falávamos de nossa infância, das brigas na adolescência, de missões difíceis que tivemos que enfrentar, com ele me sentia livre e podia até sorrir.


No entanto, percebi que estava sendo sentimental demais e não permitiria que ninguém visse esse meu lado frágil, nem ele. Em meio a esses pensamentos ouvimos um ruído, nossos extintos eram aguçados, ele se levantou e foi verificar do que se tratava, em casa não andava armado, mas nada avistou, voltou ainda meio desconfiado e disse que já era tarde e seria melhor irmos dormir, concordei com a cabeça e recebi um terno beijo de boa noite em meu rosto, voltei a meu quarto, deixei minha linda rosa azul na cômoda e finalmente pude dormir o sono dos justos, que há muito tempo não experimentava e pude ter os mais belos sonhos com o homem que eu amava... Mas, até quando minha frágil alegria duraria?