Autoria: Thalita Lima
Co-autoria: Alisson Alves
Desde aquele dia, Valquíria mudou seu comportamento comigo, não me procurou mais, passou a sorrir menos e falar apenas o essencial, imaginei o porquê dessa mudança repentina, já que eu não havia feito nenhum mal a ela, pelo menos a meu ver. Eu me perguntava se ela sentia ciúmes, mas, não havia motivos, Domminik continuou seu noivado normalmente e não havia nada entre eu e ele.
Pelo menos, não até aquele fatídico dia...
Ainda era cedo quando Juliette interrompe meu sono:
- Carlotta, desculpe-me por acordá-la tão cedo, mas o Don quer falar com você agora. – A voz dela parecia bem tensa, Juliette geralmente se mostrava uma pessoa calma e quase tão fria quanto eu. Qual então seria o motivo de tanto nervosismo?
-
Ah, tudo bem, se me der alguns minutos, eu logo me arrumo, mas, o que houve?
- Você logo saberá.
Poucos minutos depois, eu já estava no escritório. Era um lugar muito bonito e chique, com maçanetas banhadas em ouro, Nas prateleiras havia várias esculturas de bronze a mesa feita de uma madeira que parecia cara e durável, nas paredes havia fotos de todos os patriarcas antecessores, o que dava um ar de familiarismo naquele ambiente.
Meu tio estava sentado em sua confortável cadeira enquanto fumava um charuto cubano. Sua expressão era séria e pesada quando ele começou a falar. Ouvi sobre nossa família, nosso orgulho, nossa honra, até que a conversa chegou a um ponto que eu não apreciava: a submissão das mulheres.
- Você sabe que nossa família é uma as mais tradicionais da máfia, não sabe? E você, Rose, é uma das mulheres mais importantes para o nosso clã e como mulher da máfia, você deve ser submissa, mas suas atitudes tem se mostrado impróprias para uma dama de classe como você!
A voz dele não era alterada, mas por alguma razão, tudo o que ele dizia era carregado de autoritarismo. Eu realmente não estava entendendo aonde ele queria chegar com toda aquela conversa. E continuou:
- Rose, você já tem 25 anos, já era para estar casada há anos! Acho que já está na hora de resolvermos esse problema e só um marido de pulso forte pode ajudá-la a ser uma boa esposa.
Nesse momento, eu não soube o que fazer, como poderia casar com um desconhecido, se já havia um homem ao qual devotei completamente meu amor? Tentei manter a calma, apenas abaixei minha cabeça e disse:
- Suas ordens são absolutas, Don. Farei tudo o que for bom para nosso clã – Por dentro eu estava gritando, queria dizer que não casaria com ninguém, mas eu simplesmente não podia fazer uma loucura dessas.
Tio Francis sorriu satisfeito e disse:
- Fique tranqüila, Rose. Eu já escolhi seu noivo e é membro de nossa família. Você ficará muito feliz quando souber de quem se trata. Eu não podia escolher qualquer um para minha sobrinha querida.
Nessa hora senti uma pequena esperança, mas logo voltei à realidade, lembrando que meu amado já possuía uma noiva, logo não poderia ser ele.
Alguém bate à porta, recebe a permissão do soberano para entrar:
– Entre meu filho!
Eis que entra meu futuro noivo, o filho caçula de meu tio, Giovanny, conhecido no nosso meio como aSombra. Tratava-se de alguém sorrateiro que recebera o mesmo treinamento que eu e Domminik, recebera esse codinome por executar suas missões com maestria, silenciosamente, sem que o inimigo sequer notasse sua presença, não era tão bonito quanto seu irmão, mas certamente era um bom homem e sempre deixou claros seus sentimentos por mim, mas eu sempre o amei como um irmão. Giovanny era mais novo que eu, no entanto, isso não era relevante para nossa família. Ele entrou no escritório e veio em minha direção, parecia feliz, pegou em minhas mãos e perguntou:
- Você está feliz com nosso noivado, querida?
Eu queria mesmo era sair dali e descobrir que eu estava sonhando, mas, era impossível, eu tinha que fazer a vontade do Don. Então, me limitei a responder sem nenhuma expressão:
- Não posso contrariar a vontade de Don, então me casarei com você.
Senti que Giovanny não gostou muito da minha resposta frívola e por alguns segundos todos ficamos em silêncio. Até tio Francis interrompê-lo:
- Pois bem, daqui há uma semana faremos um grande jantar aqui na nossa casa para todos os membros do nosso clã e convidados de outras famílias também. Será um jantar de noivado duplo, Domminik também ainda não teve a chance de mostrar ás outras famílias a sua noiva. Pode ir agora, querida.
Me retirei do escritório, ainda pude ouvi-lo perguntar ao pai porque eu não parecia bem, este respondeu que só podia ser impressão do filho, que eu apenas não sabia expressar minha alegria, afinal esse era meu jeito, sem muitas expressões e concluiu a conversa dizendo que nenhuma mulher poderia se sentir infeliz fazendo tão bom casamento.
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