Autoria: Thalita Lima
Co-autoria: Alisson Alves
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Ao descer para tomar café da manhã, eis que tenho uma surpresa, dou de cara com ele no corredor, ele me deu um abraço e sorriu ao dizer bom dia, mas notei que parecia um pouco tímido, estranhei sua atitude, mas não havia melhor jeito de começar o dia, nessa hora acabei lembrando o sonho da noite anterior, no entanto, ele já havia ido embora.
Teria sido mesmo um ilusão?
Que pergunta boba, claro que sim. Afinal, que chances eu possuía com ele, eu era apenas sua prima e amiga de infância. Soube que dessa vez ele ficaria pelo menos uma semana em casa, mas não fui a única a ficar feliz com essa notícia, vi quando Valquíria foi cumprimentá-lo, no entanto, e como eu já havia notado antes, ele deu-lhe um beijo em sua testa apenas.
Após o jantar, ele nos chamou à sala e anunciou que gostaria de nos dar alguns presentes que trouxera da viagem, o pai recebeu um isqueiro com as iniciais bordadas em ouro (FS, Francis Santtory), para mãe um lindo punhal de prata (Juliette era uma colecionadora de armas), para Valquíria, um colar de pérolas e finalmente para mim, um lindo anel de safira, esta era minha pedra predileta, será que ele ainda lembrava disso?
Pensei em algo do passado, de quando éramos crianças, onde Domminik prometeu que casaria comigo e me daria um anel de safira em nosso noivado, nesse momento esbocei um breve sorriso. Ele percebeu que eu estava feliz com o presente e comentou que eu deveria sorrir mais, pois ficava mais bela ao sorrir, nesse momento percebi que Valquíria ficou séria, agradeceu o presente e pediu permissão para se retirar, alegando que estava com uma pequena dor de cabeça, ao subir as escadas, pude perceber lágrimas em seus olhos.
Após o ocorrido, todos se recolheram aos seus aposentos e fiquei a pensar em meu quarto, que dia incomum fora aquele. Apesar de tentar dormir, não conseguia, ficava olhando para o anel e lembrando-me dele. Resolvi então dar uma caminhada pela casa pra ver se o sono chegava, fui até a estufa, pensei que sentindo o cheiro de flores talvez ficasse mais calma e conseguisse descansar.
Ao chegar lá fiquei encantada com a beleza e perfume das rosas, imagino se as flores despertam a feminilidade nas mulheres, parei para observar as vermelhas, elas me lembravam o sangue, memórias distantes vieram em minha mente. Em meio a todos aqueles odores agradáveis senti um peculiar e vi uma rosa azul aparecer em minha frente, reconheceria aquele perfume em qualquer lugar, foi então que senti Domminik me abraçar por trás, ele sussurrou meu nome em meu ouvido, fiquei estática, não podia acreditar que aquilo estava acontecendo, de repente se afastou e sorriu.
- Faz muito tempo que não ficamos sozinhos.
- é verdade
- Sabe, essa pode ser uma ótima oportunidade para relembrarmos os velhos tempos. E então, o que fez sem mim durante esses cinco anos?
Meu coração que neste momento estava quase a ponto de explodir, se acalmou com sua declaração e me fez pensar que isso é normal para melhores amigos.
- Treinei bastante e cumpri algumas missões difíceis, mas não era mais tão divertido sem você.
- Digo o mesmo. Lembra daquela vez que tivemos que seqüestrar aquele senador? A cara dele era hilária, mas não podíamos rir na frente dele. Na verdade, você não riu nem depois, aliás, você jamais sorria...
- Lembro sim, como eu poderia esquecer disso? Mas você está certo quanto a meu sorriso, poucas pessoas podem vê-lo. Você sabe, eu sempre fui assim.
Sentamos em um banco e entramos pela madrugada a conversar, falávamos de nossa infância, das brigas na adolescência, de missões difíceis que tivemos que enfrentar, com ele me sentia livre e podia até sorrir.
No entanto, percebi que estava sendo sentimental demais e não permitiria que ninguém visse esse meu lado frágil, nem ele. Em meio a esses pensamentos ouvimos um ruído, nossos extintos eram aguçados, ele se levantou e foi verificar do que se tratava, em casa não andava armado, mas nada avistou, voltou ainda meio desconfiado e disse que já era tarde e seria melhor irmos dormir, concordei com a cabeça e recebi um terno beijo de boa noite em meu rosto, voltei a meu quarto, deixei minha linda rosa azul na cômoda e finalmente pude dormir o sono dos justos, que há muito tempo não experimentava e pude ter os mais belos sonhos com o homem que eu amava... Mas, até quando minha frágil alegria duraria?
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