quarta-feira, 27 de julho de 2011

Romance nas Sombras - Capítulo 3 - Aproximação

Autoria: Thalita Lima

co-autoria: Alisson Alves


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Desci deslumbrante para o jantar, todos me olhavam de cima abaixo, alguns se perguntavam como uma mulher nada feminista como eu poderia também ser tão elegante. O meu vestido longo, de cetim azul-celeste parecia reluzir naquela sala aonde os convidados estavam. Eu escolhi para aquela noite um colar de diamantes e safiras que eu ganhara da minha mãe no meu aniversário passado. Eu estava realmente linda, como uma princesa. A princesa da família Santtory.

Quando finalmente terminei de descer todos aqueles degraus, fui recebida pelo tio Francis, que estava com uma expressão de orgulho nos olhos, e quando olhei para o lado, vi a poucos metros de mim que Domminik me fitava com um olhar admirado e, por um instante, vi reluzir em seu rosto, uma expressão de desejo carnal. Logo expulsei esse pensamento da memória. Era o meu jantar, nada podia ousar me tirar a calma.

Valquíria estava igualmente bela, usando um vestido vermelho-sangue e um colar de esmeraldas, que combinavam muito bem com os seus olhos verdes e cintilantes. Sua maquiagem era perfeita, parecia uma boneca de resina, delicada e com a aparência serena, um sorriso monalístico no rosto dava um ar de mistério e fragilidade á minha rival. Não deixei de notar o bom gosto que Domminik tinha.

Peguei uma taça de Champanhe e fui até ela, que estava ao lado de seu noivo, ambos aparentando estar felizes com a festa e com a minha presença.

- Valquiria, como você está bela! – Tentei demonstrar cordialidade com o tom da minha voz, não podia deixar em nenhum momento a minha máscara cair, eu tinha que seguir com uma expressão de que não me importava, embora o coração rangesse e quisesse gritar.

- Obrigada, mas perto de você, qualquer elegância some. Adorei esse colar, parece uma jóia rara. – Valquíria parecia feliz e, por algum motivo, eu não conseguia sentir ódio daquela mulher. Apenas estava ferida por ela estar com o homem que eu amava.

- ah, não seja tão modesta. Então estamos empatadas em questão de beleza. Esta jóia foi um presente que minha mãe me deu de aniversário, tenho muito apego a ele. Espero que estejam com fome, ouvi dizer que o jantar estará divino. Até mais, vou até ali cumprimentar um grupo de amigos do meu pai. Tchau. – Eu não agüentaria ficar ali por muito tempo, embora eu não a odiasse, era como se algo me incomodasse.

- Tudo bem, até mais. Certamente não nos decepcionaremos com o jantar.

Domminick limitou-se a olhar gentilmente para mim. Ele estava lindo naquele smoking. Notei que em sua lapela, uma rosa azul se sobressaia em contraste com a sua roupa formal. Azul sempre foi a minha cor favorita, seria aquilo um sinal? Ou apenas coincidência? Enfim, não nos falamos aquela noite. O jantar foi ótimo, vi bastantes companheiros de anos atrás, que me contaram sobre as façanhas do meu irmão em relação aos negócios do meu pai, falei com muita gente importante e percebi o quanto eu era querida entre os companheiros que deixei para trás. Eu tinha vontade de voltar e me impor naquele império, mas sentia que deveria ficar ali, pois algo estava para acontecer.

Assim, alguns dias se passaram desde o jantar, eu demonstrava uma atitude normal, e tentava observar cautelosamente minha rival, ela se mostrava muito diferente de mim, alegre, gostava de coisas bonitas, era muito prendada e prestativa, o modelo perfeito de uma dona de casa fiel e submissa.

Um dia, enquanto eu olhava o jardim, Valquíria se aproximou de mim e iniciou uma conversa.

- Você gosta das flores? – Valquíria disse colocando-se ao meu lado segurando uma rosa branca.

- Não sou muito de olhar para elas, mas são bonitas.

- Elas aguçam o sentimentalismo das pessoas e por isso os seres humanos a cultivam, para lembrar de seus sentimentos mais profundos com um simples olhar.

- Você entende bastante, estou impressionada.

- Ah, apenas me interesso pelas coisas belas da vida. Por isso odeio violência e jamais tive coragem de tocar numa arma, apesar da insistência dos meus pais para que eu aprendesse a me defender.

- Como é? Você nunca atirou? – Para mim era uma novidade que alguém que pertence à máfia nunca tivesse atirado, por isso realmente fiquei espantada.

- Você parece bem surpresa, mas o fato é que realmente nunca me interessei pela vida de mafiosa. Todo esse submundo me deixa triste, a morte é quase palpável e nunca temos certeza se nossos entes mais queridos voltarão de uma missão. Isso me deixa profundamente irritada.

- Sua família parece ser bem envolvida com a máfia mundial, estou certa?

- Sim, temos muitos contatos e braços em vários locais do mundo, somos bem conhecidos e respeitados, principalmente na Alemanha. As pessoas temem o nome Salvatore, mas não gosto disso.

- Por quê?

- Acho que você deve saber que, não temos muito direito de escolha. Até o homem com quem vou me casar foi escolha de meus pais. O único lugar do mundo onde não temos negócios é na Itália, sua família é muito forte por aqui e meu pai propôs a Francis um casamento entre as famílias para selar uma aliança e estabelecer bons negócios para ambos.

- Isso é verdade, não podemos escolher. Mas, é sempre bom honrar o nome da família. Nascemos para sermos pilares e é importante que cada pilar contribua para que a casa toda não desmorone. Submissão aqui é a palavra chave.

. Para ser sincera, aquilo me aliviou, pois pude pensar que ela e Domminik não se amavam e que aquele poderia ser apenas mais um casamento por conveniência, o que era muito comum em nosso meio.

- Admiro você, Carllota. Sempre tão forte e decidida. Isso é bom, mas também pode ser ruim. É só não deixar que as decisões torne-se teimosia.

- Obrigada! E belas palavras as suas, tomarei cuidado. Vou procurar algo para fazer, essa monotonia está me matando. Até mais.

- Até.

A partir desse dia, ela sempre vinha me procurar, talvez se sentisse solitária, já que Juliette não parecia lhe dar atenção, e seu noivo não ficava muito em casa, pois vivia viajando. Ele logo assumiria os negócios da família, já que o patriarca estava com idade avançada, sentia-se cansado e sofreu um grande abalo com a morte de meu pai. Eu sentia a falta de Domminik, embora não nos falássemos muito quando ele estava em casa

Por outro lado me sentia um pouco culpada, por não desejar o bem de Valquíria e por continuar apaixonada por seu noivo. Julliete não mentiu ao dizer que minha rival era uma boa pessoa. Eu sabia quando as pessoas estavam sendo falsas comigo e ela demonstrava muito esforço para tentar se tornar minha amiga de verdade. Ás vezes achava que eu tinha razão, afinal eu o conheci bem antes e podia garantir que o amava verdadeiramente, Porém, ainda não sabia dos verdadeiros sentimentos de Valquíria, mas sabia que ela nutria uma afeição considerável por ele, já que na maioria de nossas conversas ela o citava dizendo o quanto ele era um bom homem, que era bonito e que muito lembrava seu pai. Eu não havia conhecido o pai de Valquíria, por isso não podia dizer se Domminik era ou não parecido com ele, mas para mim, Domminik era muito parecido com meu pai, tanto na aparência física, quanto na personalidade, talvez essa seja uma das razões pelas quais o escolhi.

Era nítido nos olhos verdes de minha rival que ela também o amava e eu fiquei um pouco desconfortável com a ideia de fazer amizade com ela, mas tínhamos que nos dar bem, pelo bem da família.

Desde que cheguei aquela casa, minha, minha vida se tornou monótona. O lugar era gigante, mas não havia muito a ser feito e aquilo estava me deixando mais entediada do que de costume. Passava a maioria do tempo no meu quarto, lendo algum livro da biblioteca enorme que tínhamos em casa. Em um desses dias de tédio absoluto, Julliete resolve interromper meus pensamentos e bate á minha porta.

- Carlotta querida, posso entrar?

- é claro, a casa é sua.

- Preciso conversar seriamente com você, não pude deixar de notar algumas coisas neste tempo em que você está aqui. É preciso esclarecer as coisas para que você não me entenda mal.

- Nossa! O que pode ser tão sério?

- Sei dos seus sentimentos por Domminik...

- Julliete eu já disse que...

- Por favor, deixe-me falar. Já disse para não subestimar minha inteligência, Carlotta. Eu a conheço desde criança e percebo como você olha para Valquíria e para meu filho, é muito claro em seus olhos que você está sofrendo com isso. O que quero deixar bem claro é que não gosto de Valquíria. Apesar de ela ser uma boa pessoa, eu a acho fraca e incapaz de me suceder nesta família.

Enquanto ela falava, percebi que um novo fio de esperança brilhava em meu coração, algo que eu já tinha perdido. Ali vi que Julliete realmente não era como as outras mulheres da família. Ela era como eu, forte e segura de si. Julliete então continuou:

- Não sei como você consegue aceitar essa situação, seus sentimentos são tão notáveis e sua dor também, todas as vezes que você tenta evitá-lo e quando o vê fazendo carinhos em Valquíria...

- Valquíria não tem culpa de amá-lo também. É até bom que ela o ame. A vontade de Don é absoluta na família. Só me resta obedecer e seguir em frente. Eu vou conseguir esquecê-lo, nem que isso leve minha vida toda.

- Sinceramente, acho que me enganei em relação á você. Achei que você fosse uma mulher de atitude, mas vi que é você tão fraca quanto Valquíria. Talvez seja mais.

Juliette se levantou com um semblante pesado, aparentando mau-humor e, sem falar nada, apenas abriu a porta e saiu pisando duro.

Fiquei pensando sozinha em suas palavras que reacenderam minhas esperanças, mas o que eu poderia fazer? Nunca fui muito feminina não sei se saberia seduzi-lo, o que me ensinaram foi a manusear armas e não conquistar homens! Pensava se o que ela disse poderia mesmo ser verdade, sempre pensei que ele me amava, mas como uma amiga, como uma irmã, poderia estar errada? Fiquei com aquele turbilhão de pensamentos perturbadores, mas mesmo assim acabei por adormecer.

No meio da noite, acordei e tive a impressão de que alguém havia estado em meu quarto e tocado meus lábios, de leve senti o cheiro do perfume dele, mas como ele não estava na casa, concluí que tudo não passou de um sonho ou mesmo fruto de minha imaginação.

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