sábado, 23 de julho de 2011

Romance Nas Sombras - Capítulo 2 - Bem-vinda ao nosso lar!

Autoria: Thalita Lima
Co-autoria: Alisson Alves

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- Ele já está indo, não vai se despedir, Carllota? – Tio Francis me disse enquanto Domminik entrava no quarto e eu o olhava friamente pela janela, sem esboçar reação alguma.

- Despedidas não são necessárias. – Respondi rispidamente ao meu tio. A verdade era que eu não queria que Domminik fosse embora, queria que ficasse comigo para sempre, mas tinha de aceitar sua ida. Acatar ordens dos superiores era uma de nossas obrigações e eu, certamente faria isso sem pestanejar.

Domminik era meu primo, um homem charmoso e sedutor. Cabelo loiro, olhos claros e um sorriso lindo, coisa que tio Francis dizia que seria muito útil em negociações. Eu nunca fui muito de sorrir, minha personalidade mais frívola não permitia que eu risse de coisas fúteis.

Passamos nossa infância e também a adolescência juntos, ou seja, tivemos quase o mesmo treinamento, mas ele sempre fora melhor em tudo, por isso tinha o apelido de Hawkeye, olhos de águia, que nunca erravam o alvo. Fizemos muitas missões e nossa cumplicidade era notável, éramos uma dupla infalível. No entanto, um dia tivemos de nos separar. Ao completar 20 anos ele fora mandado ao exterior, o pai queria que ele administrasse alguns de seus negócios e fizesse alianças, achando que isso o prepararia melhor para ser seu futuro sucessor. Eu certamente sentiria sua falta, mas pelo meu orgulho não demonstraria. Sempre tentei esconder ao máximo meus verdadeiros sentimentos, ninguém poderia saber que eu o amava, o admirava e almejava estar a sua altura, ser tão boa quanto ele, para poder estar sempre ao seu lado. Durante sua ausência treinei mais e mais, para talvez um dia ter meu esforço reconhecido e ser notada por ele como uma mulher implacável.

Desde o dia de sua partida, nós nunca mais nos vimos ou falamos ao longo desses 5 anos. Ele veio em minha direção com os braços estendidos oferecendo-me seu abraço quente, por alguma razão, ele não parecia estar surpreso com a minha presença. Não esbocei reação alguma, apenas aceitei seu abraço.

- Rose! Há quanto tempo que não vejo a minha querida prima!

- Creio que cinco anos. Foi tão rápido que nem percebi passar.

- Vejo que a personalidade continua a mesma. Mas, sua aparência está ótima. Você nunca foi feia, mas agora está bem mais elegante

- hmm...

- Lamento pelo seu pai. Grande homem!

- É, mas você sabe que supero qualquer coisa. Temos que tocar os negócios da família agora. O que tem feito?

- Ah, meu pai já está bem velho e estou fazendo quase tudo por ele. O velho não quer sair do trono, mas tenho que me preparar, sabe.

- Sei sim, são muitos negócios mesmo e...

Então uma jovem e linda moça apareceu abraçando-o por trás carinhosamente.

- ah, desculpe minha indelicadeza, esta é Valquíria, minha noiva. Eu a conheci há 3 anos na Alemanha. Ela é linda, não é?

Naquele instante, senti uma pontada no meu coração, como se um daqueles tiros que acertaram meu pai me viesse em cheio. Cheguei até a achar que minha expressão houvesse mudado, mas, graças ao treinamento duro que tive, consegui segurar a máscara, mesmo eu estando totalmente destruída por dentro.

- Nossa, ela é mesmo bonita, Domminick... que sorte você tem! – Eu falei isso, mas meu pensamento era: “como ele ousou colocar outra em meu lugar? Ela parecia tão frágil e sem-graça e eu, sem sombra de dúvidas, era muito mais bonita que ela. Como ele pôde?”

Valquíria era realmente muito bonita. Os olhos muito verdes, cabelos loiros, parecia ser bem delicada e gentil. Ela então estendeu a mão para mim e disse:

- Então você é a famosa Carllota Santtory! Muito prazer em conhecê-la, sou Valquíria Salvattory, espero que sejamos amigas. – O sorriso dela parecia ser sincero. Será que aquela mulher, minha rival, queria mesmo ser minha amiga?

- Ela ainda fala com leve sotaque, mas já entende tudo que a gente diz sem nenhuma dificuldade. Estou contente em vir morar novamente em meu país e trouxe Valquíria para morar conosco, isso não é ótimo? – Domminick disse isso de forma tão entusiasmada que eu até me impressionei. Não podia acreditar no que eu estava ouvindo... Ele ali sorrindo e meu mundo caindo num poço que parecia não ter fundo.

- Ah, é claro, vamos ser amigas. – Mais uma vez sorri. Era um sorriso falso, mas bem convincente.

Isso não podia ser verdade, talvez tudo não passasse de um sonho ruim, do qual eu logo acordaria, mas era tudo real, aquela mulher fraca e sem - graça seria a próxima matriarca de nosso clã.

Nesse momento a mãe de Domminik veio até nós. Juliette certamente era uma mulher admirável, linda e forte, sempre disse que eu seria sua sucessora e que seria melhor que ela algum dia, me tratava como a uma filha.

- Rose, Minha querida! Há quanto tempo! – Juliette abriu um sorriso sincero e me deu um longo abraço.

- Juliette, como você está bela! Está cada vez mais jovem, quero o nome do esteticista, hein! – Sorrimos gostosamente e ficamos nos elogiando e perguntando coisas uma a outra por uns cinco minutos. Juliette tinha esse poder de me fazer esquecer quem estava á minha volta. Então notei que Valquíria se sentiu um pouco constrangida com nossa intimidade. Talvez tenha se sentido esquecida e diminuída na família. Pensando assim, eu quase sorri.

Juliette, sagaz, como sempre, interrompe meus pensamentos malévolos e me tira do transe de cinco segundos:

- E então Carllota, vamos para os seus aposentos? Aposto que deve estar cansada da viagem, você vai amar a suíte que preparamos para você.

Enquanto íamos ao meu quarto, cumprimentei Valquíria com um falso sorriso em meu rosto e fui guiada pela matriarca, em silêncio absoluto, pensava em como minha vida seria dali em diante, como seria ver o homem que amo nos braços de outra.

Mais uma vez, Juliette interrompe meus pensamentos:

- Chegamos querida. Arrume-se, faremos um jantar comemorativo hoje pela sua chegada. Várias pessoas importantes estarão aqui mais tarde. E, não se preocupe com Valquíria, ela é uma boa pessoa. Sempre torci por você, mas nem tudo é como queremos, Carlotta.

- Juliette... Não estou entendendo o que quer dizer e...

- Não subestime minha inteligência, querida. Sabe do que eu estou falando. De qualquer forma, conversaremos sobre isso mais tarde.

Já sozinha no quarto, pensei em fugir, em gritar, sentia ódio, inveja, ciúmes, havia uma grande mistura de sentimentos dentro de mim, não chorei, mas sentia medo de cometer uma loucura. Sentei na beirada da minha cama e fiquei pensando no que fazer dali por diante. Muitos pensamentos me atormentavam e após um tempo de angústia, resolvi me acalmar, já que esta era minha personalidade habitual. Comecei a pensar que nem tudo estava perdido. Eles ainda não eram casados! Ainda dá tempo de eu resolver essa situação da forma que meu pai me ensinou a resolver meus problemas...

Os pensamentos malignos começaram a brotar em minha mente, tentei rapidamente expulsá-los. É verdade que eu era uma assassina, mas tudo que tinha feito até aquele dia foi pelo bem da família. Levantar a mão contra outro membro era considerado imperdoável, mesmo para mim um membro de grande estima com o Don, querendo ou não ela já era uma de nós. Decidi me arrumar para o jantar de logo mais e apenas observar os fatos. Eu não sabia que seria tão instigante o desenrolar dessa história...

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