Autoria: Thalita Lima
Co-autoria: Alisson Alves
PRÓLOGO
Adoro a Suíça. Essa paisagem á minha janela faz com que eu me encante ainda mais e me lembre dos meus tempos de ativa na Máfia Italiana. Foram ótimos tempos, apesar de toda a periculosidade que essa vida nos oferece. Algo que aprendi nesse meio-século de existência, é que se pode ser feliz ou infeliz em qualquer lugar ou ambiente. Depende apenas de como mantemos nossos amigos e de como matamos nossos inimigos.
Sou Carlotta Santtory, codinome Bloody Rose, ou pelo menos costumava ser chamada assim em meus tempos de atividade, fui criada em uma família de mafiosos e mesmo sendo mulher nunca deixei de participar dos negócios de meu pai e irmãos. Hoje já não possuo a vitalidade antiga, mas desde muito cedo aprendi a segurar uma arma e usá-la se fosse necessário, os valores da família me foram passados pelas matriarcas anteriores, no entanto, eu não desejava ser como minha mãe, que mesmo sendo uma mulher forte, nunca ousou sujar as mãos, com o que ela chamava de “trabalho dos homens”. Por isso, talvez tenha me espelhado mais em meu pai, um mafioso temido e conhecido por sua implacabilidade, enquanto minha mãe preocupava-se com minha segurança, meu pai sentia orgulho a cada inimigo nosso que encontrava seu fim por minhas mãos.
Minha narrativa se inicia há mais ou menos 25 anos atrás, quando sofri uma das maiores perdas de minha vida. Todo mafioso sabe que sua existência pode ser breve, mas para um homem como meu pai, me parecia que a morte não existia, somos ensinados a esconder o sofrimento, já que para dar fim em vidas é necessária extrema frieza, por isso em seu enterro não derramei uma lágrima sequer, apesar de tudo tinha orgulho de saber que ele havia morrido para proteger a família, como qualquer um de nós pretende morrer, frente a frente com o inimigo. Ele levou um tiro no peito no lugar de seu irmão, o atual Don. A hierarquia em nossa família se divide da seguinte forma: o filho primogênito, se homem, será o sucessor nos negócios e representará a família principal, já o seguinte filho e os demais, representariam a família secundária, tendo o dever de respeitar e proteger os membros da família principal. Meu pai era o segundo filho, mas nunca amaldiçoou seu destino por isso, pelo contrário, sempre amou seu irmão, a ponto de dar a vida por ele, e assim o fez. Em sua sepultura havia a inscrição: Aqui jaz um homem que amou, honrou e acima de tudo protegeu a família, John Santtory.
Sendo assim, Joseph, meu irmão mais velho, assumiria seu posto e seria o novo patriarca da família, eu como irmã mais nova e mulher não poderia almejar isto, mas ele era um homem de confiança e o braço direito de meu pai, sei que faria um bom trabalho em prol da família. O único problema era que Joseph era contra minha participação direta na máfia, e logo após a morte de meu pai tentou restringir minhas ações, decidindo que eu mudaria de residência e passaria a morar na casa principal, afastando-me assim de meus companheiros habituais que me davam total apoio. Minha mãe apesar de sentir-se solitária sem a presença de sua única filha, concordou por entender que isso seria melhor pra mim e por ser sempre submissa. Apesar de não estar muito feliz com essa idéia, me conformei, já que a vontade do líder era sempre absoluta. Em poucos meses mudei para a casa principal que ficava em outra região, esta era luxuosíssima, mas eu sempre fui acostumada a ter tudo, então aquilo já não me deslumbrava tanto.
Meu tio me recebeu de braços abertos, mas ainda parecia muito abatido com a morte de meu pai. Tio Don sempre foi muito bondoso comigo, umas das características dele era mimar as meninas da família e ser bem duro com os meninos, já que estes seriam os herdeiros e chefes no futuro. O treinamento dos homens da família era intenso e lhes era instruído como regra máxima defender a vida do chefe á todo custo.
No momento em que entrei na casa, tentei absorver todos os detalhes dela, eu sabia que aquele seria meu novo lar, então tinha que conhecer. Observando tudo com cautela eu o avisto, como uma miragem no deserto, meu coração parecia não acreditar e saltava de uma forma irregular. Eu queria vê-lo há tanto tempo e lá estava ele, encostado em uma coluna... Então eu me recompus da surpresa e pude ver que era de verdade, quem estava ali era ele: Domminik...
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