sábado, 9 de julho de 2011

AMOR DE UM HOMEM MORTO (I) - PARTI


Quando acordei no hospital, minha esposa estava com uma das mãos em minha testa suada, mas eu não conseguia falar nada, por mais que eu tentasse, só conseguia ouvir uns sussurros de mim mesmo, não conseguindo me entender.

Luzia me olhou meio triste e meio sorridente e pôs uma das mãos levemente em minha boca como um sinal de que eu não devia tentar falar nada, apenas ficar lá olhando ela. Mas eu queria muito abraçar aquela mulher, tudo o que nós vivemos juntos foi espetacular, os melhores anos de minha vida de 40 anos – irônico morrer aos 40 anos... Sem filhos e com uma vida toda para viver...

- Meu amor, estou com você! – Luzia disse com expressão reconfortante.

Eu ouvia o som da voz dela junto com os pis das máquinas ligadas ao meu corpo e sentia um leve desconforto nos pulsos e nas minhas articulações dos braços, eram as agulhas penetradas em minhas veias e eu sempre tive medo delas, mas parece que foram responsáveis por me manterem vivo por um pouco mais de tempo.

- O doutor disse que você sofreu uma parada cardiorrespiratória e você só se salvou por eu ter sido rápida, mas tem outro problema, meu bem...

Ela começou a chorar e foi se sentar na cadeira ao lado com ambas as mãos no rosto enquanto eu estava ali, deitado, impotente e imóvel. Deus, como eu queria abraçá-la, dizer que estava tudo bem comigo e chamá-la para passear na praça em que nos conhecemos há 15 anos atrás! Mas, ela tentava me consolar e me proteger, eu me sentia um estúpido.

- você não tem muito tempo de vida – Luzia finalmente disse chorosa – pois está com uma doença que eu não sei o nome e também porque você não se cuidou a tempo, meu amor!

Luzia recomeçou o choro que tinha engolido para poder colocar aquela estaca no meu peito, não sei que expressão eu tive, mas fiquei parado, olhando enquanto ela soltava detalhes do que sabia sobre a minha doença – quase nada, pois ela nunca fora boa em explicar coisas.

Depois de receber essa estaca em meu peito já dolorido, senti uma vertigem e tudo se apagou, e lá vou eu novamente parar na UTI do hospital, pelo menos foi isso que eu fiquei sabendo, depois que eu morri.

Eu não contei, mas nunca mais sai do hospital e minha memória ficou muito fraca depois que eu entrei lá, não conseguia mais sorrir, parecia um boneco bobão enquanto todos estavam tentando salvar minha vida, eu estava lá imóvel e sem nenhuma expressão de agradecimento nem de compaixão com eles. Que raio de doença era essa que eu tinha? Nem eu sei o nome agora, realmente não sei do que morri, mas até o final desta narrativa, talvez eu descubra o que me fez bater-as-botas e vir parar nesse mundo interessante que é o mundo dos mortos. Acredite, não é nada daquilo que te falaram a vida toda.

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