- Estúpido! – gritou Luzia enquanto eu tentava acalmá-la depois que um baita rato passou por cima dos pés dela e fugiu e eu ri...mas você não sabe como é engraçado ver a Luzia gritando pela mãe dela quando está assustada, então não me julgue mal.
- Desculpe, amor! Eu fui mau, sim, muito mau, garoto mau que sou – fiz uma cena de choro que eu sei que ela não resiste, e cai aos prantos no chão – óh meu deus! Como posso ser tão cruel com minha querida esposinha!
- muito cruel, cruel mesmo, merece a forca! – ela disse isso já caindo aos risos e me levantando do chão – por causa dessa crueldade, vai cozinhar hoje e tem que me fazer feliz!
- Sim senhora, general, vossa senhoria será a mais feliz do mundo! – bati continência.
- eu já sou a mulher mais feliz do mundo, com você!
- idem. – eu só sabia dizer isso depois de algo bonito que ela me dizia, era força do hábito, mas na verdade, eu queria abraçá-la e transar a noite inteira como dois amantes escondidos em qualquer motelzinho de estrada por aí.
Jantamos um espaguete que eu aprendi a fazer com a minha avó, ou melhor dizendo, que eu tentei aprender com ela, isto porque nunca saia tão bom quanto parecia, desta vez joguei sal demais no molho e ela me fez uma cara de sarcasmo como quem dissesse que cozinhava melhor que eu, tá, ela cozinhava melhor, mas não era motivo para aquilo...ferre-se, eu estava feliz com ela ali na minha frente, sorrindo e me contando como fora seu dia no trabalho e o que ia fazer amanhã, eu realmente eu a amava, ou melhor, eu amo ainda...o amor não acaba depois da morte, eu acho.
Deitamos na cama como sempre fazíamos há dez anos e eu me senti um pouco cansado demais, apesar de não ter feito tanto esforço com meu trabalho de...hã...contador de histórias em uma escola infantil, coisa que eu adorava fazer, até hoje eu ainda adoro histórias, é muito bom para exercitar a mentalidade.
Vocês não devem estar entendendo nada, não é?
Pois bem, eu estou morto.
Não é como Memórias Póstumas de Brás Cubas onde um escritor contou a história de um homem cuja vida foi um total fracasso. A minha história é bem contrária a dele. A minha é de alguém que venceu desafios e encontrou um amor... áh, o amor! Foi o que me tornou mais feliz. Luzia foi – e ainda é – o meu motivo de maior felicidade, algo que não é fácil de encontrar no mundo em que vivemos hoje, mas eu encontrei!
Continuando, deitamos e eu me sentia cansado. Olhei para Luzia de uma forma que nunca tinha olhado, todos os nossos momentos felizes e tristes passaram pela minha memória, principalmente o fato de não termos conseguido gerar filhos biológicos, eu tinha um pequeno problema com o número de espermatozóides, mas isso é um mero detalhe de minha vida. Eu queria um neném parecido com ela em personalidade e beleza, porque eu não era bonito.
Luzia é linda com aqueles cabelos arruivados caindo sobre os ombros, o nariz perfeito, os olhos esverdeados com um tom raríssimo de se encontrar, o sorriso perfeito como se cada centímetro tivesse sido esculpido pelas mãos dos mais belos anjos do céu – apesar de eu ser ateu – e o corpo, bom, é um detalhe que você, leitor, vai ficar sem saber, pois eu não compartilho aquela visão celeste com ninguém, eu realmente me sentia no céu quando estava amando ela ali, naquela cama que nos acompanhou por dez bons anos de nossas vidas. Pensei também em como poderíamos ter sido infelizes separados e no fato de que ali eu estava totalmente satisfeito. Vocês não sabem, mas essas coisas todas se passam em nossa mente em milésimos de segundos e ficamos parados com cara de bobos...
Luzia é linda com aqueles cabelos arruivados caindo sobre os ombros, o nariz perfeito, os olhos esverdeados com um tom raríssimo de se encontrar, o sorriso perfeito como se cada centímetro tivesse sido esculpido pelas mãos dos mais belos anjos do céu – apesar de eu ser ateu – e o corpo, bom, é um detalhe que você, leitor, vai ficar sem saber, pois eu não compartilho aquela visão celeste com ninguém, eu realmente me sentia no céu quando estava amando ela ali, naquela cama que nos acompanhou por dez bons anos de nossas vidas. Pensei também em como poderíamos ter sido infelizes separados e no fato de que ali eu estava totalmente satisfeito. Vocês não sabem, mas essas coisas todas se passam em nossa mente em milésimos de segundos e ficamos parados com cara de bobos...
- O que foi amor? – Luzia percebeu que eu tivera pensando.
- nada, só estava pensando no quanto somos felizes
- Somos mesmo! Você não esperava por isso, né?
- eu não... você esperava?
- de jeito nenhum, se não fosse você, eu seria hoje uma solteirona deprimida
- com esse seu rosto lindo, jamais você ficaria solteira, eu é que sou o sortudo eu... bem...- comecei a gaguejar não sabia bem o porquê, mas senti necessidade de dizer a ela o quando eu a amava – eu...te amo tanto...- senti meu rosto corar.
Ela virou-se para mim e apertou minha mão
- hum, para você dizer que me ama, assim do nada eu acho que você quer alguma coisa
- hoje não, eu só queria mesmo dizer isso, senti necessidade
- credo, você fala como se fosse morrer! Mas, eu te amo também, muito, muitíssimo, obrigado por ter me feito quem sou agora, te devo muito.
- hum, não vamos entrar em discussão para ver quem deve mais, ok?
Ela sorriu argumentando o quando eu a tinha feito feliz e tentando me convencer que ela me devia mais. Conversamos por um bom tempo, foi bom, até eu me sentir tonto e de repente a tudo se apagou.
- Amor, o que foi?
Foi tudo o que eu ouvi.
Droga, agora vem a parte triste da coisa.
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